Um tópico cada vez menos sensível para a minha geração, pois, felizmente, existem outras opções não tradicionais para um gajo se “enterrar”. Aliás, o casamento é o “enterranço” final! É o último passo da evolução social, a última etapa de um destino já traçado pela nossa querida sociedade portuguesa, precedida do nascimento, educação escolar, emprego, e do “espalhar a semente” (spreading the seed, no original).
Há pouco tempo, um grande amigo meu entregou-se à sua agora esposa de forma definitiva. Numa cerimónia pouco entediante (!), embora o padre fizesse questão de tentar semear a dúvida no único dia em que esta não deve existir (e de proclamar que a palavra do Senhor foi escolhida para guiar os homens, e ninguém pode ir contra a sua vontade, etc.), e cumpridos os requisitos, vejo-me, ali, a observar um companheiro de “guerra”, todo aperaltado, nervoso e emocionado, pensando para mim:”…tanto trabalho, tanto esforço para construir algo em tão pouco tempo (um ano após marcar a cerimónia)…”. Teria havido tempo para reflectir seriamente sobre a questão? Terão havido condicionantes externas que pesassem na atribuição do seu juízo? Teria sido uma vontade própria e honesta de se emancipar? Guardo a minha opinião, mas posso ajudar a levantar outras.
Torna-se inegável o facto de que esta questão do casamento a certa altura das nossas vidas se impõe, com maior ou menor vigor. Mas haverá necessidade de confirmar o meu amor por alguém num pedaço de papel, num objecto de metal, numa cerimónia pública, numa vestimenta especial, num novo título no B.I.? O casamento deve ser mesmo como o anel que o simboliza: embora cintilante como tudo o que de bom deve ter, talvez seja um estrangulamento do dedo anelar num manifesto cortar com o passado, e num compromisso eterno de confiança e entrega, num jogo a dois, sempre a dois…

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